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Diversidade apaixonante no primo rico do tio Chico – São Francisco, EUA

Ficha 4×1

Data: 28/08/2012 à 06/09/2012

Saímos de: Monterey, CA

Destino: São Francisco, CA

Distância: 193 km

Tempo de viagem: Cerca de 2 horas e meia

Trajeto: Seguimos pela Highway 1 até a altura de Santa Cruz, onde pegamos um desvio pela Santa Cruz Highway até a US-101, que leva direto ao coração de São Francisco.

Onde dormimos: Hospedagem em São Francisco é bastante cara. Dessa maneira, ficar em cidades vizinhas se tornam opções interessantes. Alugamos uma casa em Richmond nos primeiros dias e depois ficamos em um motel beira de estrada na cidade de El Cerrito, ambos a cerca de 15 a 20 km do centro da cidade.

O que comemos de diferente: Clam Chowder, a tradicional sopa de mariscos. Passar no Píer 39 e experimentar essa iguaria é como viajar a Salvador e provar um acarajé: obrigatório!

Pneu cheio: Cruzar a Golden Gate Brdige de bike até Salsalito. Através de um passeio de bicicleta pelos píers da cidade, pode-se sentir de perto o que São Francisco tem a oferecer. Cruzar a emblemática Golden Gate Bridge até a simpática cidade vizinha de Sausalito foi um dos pontos altos da nossa passagem pela cidade.

Pneu murcho: Quem ligou esse ventilador gelado? Não espere passar calor em São Francisco. Mesmo no verão, a temperatura não costuma passar muito dos 20 graus, e venta muito. Essa época é justamente quando a neblina fria desce à cidade.

Diversidade apaixonante no primo rico do tio Chico – São Francisco, EUA 

Diversidade deu o tom da nossa passagem por essa megalópole do norte da Califórnia. Pólo do movimento hippie e de contracultura dos anos 60, São Francisco ainda acolhe o pensamento liberal e despreocupado da época, que agora se mistura à rapidez do desenvolvimento econômico da cidade, a qual ocupa o status de um dos principais centros financeiros dos Estados Unidos.  SanFran tem de tudo e mais um pouco. Uma mistura sem igual, em meio aos inúmeros atrativos para os turistas de plantão.

Hospedar-se próximo aos principais pontos turísticos da cidade pode ser bastante caro e difícil. Como estamos viajando relativamente ao sabor do vento, sem um roteiro muito bem definido, acabamos deixando para procurar onde ficar de última hora mais uma vez. O problema é que muitos dos hotéis e pousadas já estavam cheios ou eram bem mais caros do que gostaríamos de pagar. A melhor solução foi ficar nas redondezas da cidade. Passamos nossas noites nas cidades de Richmond e El Cerrito, entre 15 a 20 km de distância da cidade. Na primeira, tivemos a sorte de encontrarmos uma casa de família super bem arrumada para alugar a um ótimo preço! Era uma casa só para a gente, muito bom negócio. Infelizmente não estava disponível para todos os dias que ficaríamos na cidade, então tivemos que trocar de acomodação. Fomos parar novamente naqueles típicos motéis beira de estrada americanos com preço imbatível e qualidade contestável. Mas para nós pouco importa, o importante era ter um lugarzinho para dormir.

Nossos primeiros dia em SanFran eram os últimos com a nossa querida amiga Lu. Sua presença renovou as baterias da Expedição, quebrou nossa “rotina” e vai deixar ainda mais saudades! Ficamos pensando como seria bom se pudéssemos ter os amigos sempre por perto. Se por um lado isso não é fisicamente possível, por outro temos a certeza de que estamos sempre com eles aonde quer que estivermos e seu apoio incontestável conforta um pouco da saudade.

São Francisco talvez tenha sido a cidade que mais exploramos em termos de atrativos turísticos. E ainda assim deixamos muito por fazer, e faríamos novamente a maioria das coisas que já fizemos. Compramos um CityPass (US$69 cada), que dava direito a cinco atrações distintas (entradas para California Museum of Science,  Aquarium of the Bay, de Young Museum, Legion of Honor, SF Museum of Modern Art e para um cruzeiro pela baía até a Golden Gate), além de acesso ilimitado ao transporte público da cidade (Muni), incluindo os bondes históricos. Foi uma ótima compra na nossa opinião! Pudemos vestir a camisa de turista por uns dias e sair por todos os cantos da cidade. Os bairros são tão diferentes uns dos outros, que se pode dizer que São Francisco abriga várias cidades dentro de uma só. No entanto, uma coisa pelo menos é comum a todos os bairros: o vento extremamente gelado que bate na cidade quando a neblina de verão desce. Passamos mais frio do que esperávamos, principalmente depois de um clima bem agradável no resto da passagem pela California até ali. Só um detalhe, nada que prejudicasse nossa experiência.

Alguns minutos na Union Square, no coração do downtown de São Francisco, e se pode observar um pouco das tribos que compõe a apaixonante diversidade da cidade. Enquanto executivos passam apressados, provavelmente em direção ao distrito financeiro, jovens relaxam ao sol com seus livros em punho, ao mesmo momento em que os turistas disparam suas câmeras fotográficas. Não é incomum ver casais homossexuais passeando sem nenhum tipo de olhar atravessado.  A arte está presente em todos os cantos, com pintores expondo seus quadros e músicos coordenando o som ambiente. Apresentações culturais ocupavam um palco montado na semana em que passamos lá. Tudo isso contrastado pelo glamour das grandes lojas de grife e dos pomposos hotéis, muitas vezes cenários de filme, que circundam a praça. E malucos, muitos malucos, citando poesias ao léo, ou tentando compartilhar teorias da conspiração sobre os mais diversos assuntos em suas plaquinhas de papelão. Por sinal, a praça leva seu nome por ser um local onde as pessoas se reuniam para ouvir discursos inflamados durante a guerra civil americana.

A nossa primeira turistada não poderia deixar de ser a tradicional foto-cartão-postal com a Golden Gate Bridge. Impossível ir à São Francisco e não o fazer. Subindo a colina em direção ao Presídio (parque nacional montado a partir de uma antiga base militar que data do século XVIII, que aliás, vale uma visita à parte) se tem uma visão privilegiada da ponte (e também de uma praia de nudismo na encosta a quem quiser dar uma espiada!). Isso se tiver em um dia de sorte. Durante o verão, a cidade é coberta por uma neblina constante que invariavelmente cobre a ponte e frustra as fotos de milhares de turistas. Foram várias as nossas tentativas antes de conseguirmos uma visão clara da ponte, que talvez se tivéssemos menos dias na cidade, talvez não conseguiríamos.

A turistada seguinte foi um passeio pelas linhas históricas dos bondes. São basicamente três linhas em funcionamento – Powell-Mason, Powell-Hyde e Califórnia – que oferecem um passeio muito agradável por alguns dos principais pontos turísticos da cidade. Os bondes inclusive são uma atração em si. Mantidos na cidade por vontade popular, que impediu a substituição dessas linhas pelos ônibus, os bondes tem até um museu em sua homenagem, o Cable Car Museum, onde se pode entender como funcionam e conhecer um pouco mais da sua história.

Dos bondes, a linha Powell-Hyde é a que achamos mais interessante de fazer. Subindo e descendo nos pontos de interesse, ela dá uma carona a diversos pontos de interesse na cidade. Depois de passar próximo à Union Square e ao Cable Car Museum, citados anteriormente, ela proporciona uma bela vista de cima Russian Hill, um bairro bastante aconchegante em meio às ladeiras. A Lombard Street é parada obrigatória pra uma foto. Suas curvas colina abaixo dão um charme especial à região. A rua costuma ser lotada de turistas e tem uma fila grande para descer de carro, mas valeu a parada para apreciar o visual. O passeio terminou no Fisherman’s Wharf, região de docas repleta de restaurantes e comércio. Uma caminhada a mais leva à Ghirardelli Square, onde nos deliciamos com sorvetes daqueles bem bonitos e com muito chocolate. Uma diversão à parte foi o Musée Mécanique, que reúne uma coleção de fliperamas antigos, desde os que tínhamos na infância até os preferidos dos nossos avós. Poderíamos passar um dia inteiro ali relembrando os bons tempos de Street Fighter e afins.

Seguindo o roteiro, tiramos um dia inteiro apenas para o Golden Gate Park ao oeste da cidade. Metade do dia passamos no California Museum of Science, um dos museus que nos interessamos na viagem até aqui. O Planetário é simplesmente sensacional! Isso sem falar dos aquários! Interessante também é o conceito de telhado verde (veja mais clicando aqui ), parte da construção sustentável do edifício do museu. Não pudemos deixar de visitar também o de Young, museu que engloba arte norte-americana do período colonial e também exposições de arte das Américas, da Ásia e da África. Subir na torre do museu para uma vista da cidade é bom e é de graça! O parque ainda é lar do Japanese Tea Garden, do Jardim Botânico e muitos outros atrativos.  E para os que ainda tem fôlego para mais museus, mais ao norte da cidade, já fora do parque, está o Legion of Honor. Parte do que chamam de Museus de Belas Artes de São Francisco (Fine Arts Museums of San Francisco) juntamente com o de Young, este belo palácio é lar de diversas pinturas dos principais artistas do Renascentismo. Porém, o que chama mais atenção mesmo são as esculturas do francês Auguste Rodin, entre elas uma de suas obras-primas: O Pensador. O museu também proporciona uma bela vista da cidade e da Golden Gate.

Outro parada obrigatória em São Francisco é Alcatraz. Este era um dos passeios que estávamos mais ansiosos para fazer antes de chegar à cidade. Fomos à bilheteria do Píer 33 na inocência de comprar ingressos na hora, mas logo fomos informados de que não apenas estavam completamente esgotados para o dia, como também para o dia seguinte, para o próximo e para o resto da semana inteira! Só havia entradas disponíveis para uns 5 dias à frente. Aprendemos a lição: se for à Alcatraz, reserve com antecedência! Senão, a única alternativa é comprar o ingresso de agências que incluem Alcatraz em seus pacotes, juntamente com um passeio naqueles ônibus sightseeing, que geralmente ninguém quer fazer, por um preço absurdamente alto. Este foi um dos fatores pelos quais decidimos passar mais tempo na cidade, o que acabou sendo ótimo. A visita foi fantástica! Melhor ainda com o audioguia em português, que nos dava vontade rir a cada vez que o interlocutor forçava um sotaque de caipira ou de gangsta americano. Difícil imaginar como um preso poderia sobreviver naquela ilha gelada, com a sociedade tão próximo a seus olhos pela janela. Praticamente uma tortura.

O que mais divertiu a gente em SanFran foi um passeio de bicicleta pela cidade. Conseguimos um bom negócio próximo ao Fisherman’s Wharf (US$20 de aluguel para o dia inteiro e incluía – não sabemos o porquê – um aperitivo em um restaurante indiano). Partimos em direção à Golden Gate e cortamos a neblina e o vento gelado até a ladeira que leva a Sausalito. A pequena cidade é extremamente aconchegante e proporciona uma boa variedade de restaurantes. De Sausalito, há a opção de voltar de ferry à São Francisco, mas com o nosso espírito atleta em alta, apesar do condicionamento físico em baixa, preferimos voltar na raça. Subimos até o Presídio depois de atravessar a ponte de volta. No caminho, nos perdemos. Rodamos, pedimos informação, rodamos, pedimos informação, sentamos, pedimos informação, e nos perdemos de novo. Mas no fim, conseguimos finalmente chegar à cidade. Foram horas perdidos pelas redondezas do Presídio, mas não deixamos de aproveitar a oportunidade de nos divertirmos com isso. Meio que por acaso, demos de cara com o belo edifício do Exploratorium, um museu interativo de ciências que vai ficar para a nossa próxima visita.

A grande vantagem de passar vários dias na cidade foi poder conhecê-la bairro a bairro, caminhando pelas ruas e observando suas diferenças. Chinatown e seus inúmeros restaurante e casas de chá, lojinhas de artigos made in China e idosos sorridentes jogando cartas nas praças (chutamos ser alguma variação do jogo presidente no Brasil). North Beach e sua grande concentração de restaurantes italianos e bares como o Vesuvio, onde Jack Kerouac costumava tomar seus drinks. O distrito financeiro com a grandeza de seus edifícios e a correria dos engravatados na Montgomery St, que nos faz pensar que estávamos no coração de NY (principalmente ao se espantar com a altura do Bank of America Center). O Embarcadero e sua sequência de píers, cada um com seu charme. Aliás, não há lugar melhor que o Píer 39 para apreciar uma sopinha tradicional de mariscos (a famosa clam chowder) no frio da noite e para confabular teorias sobre o comportamento dos leões marinhos (Por que há tantos deles parados ali?!). O Embarcadero também abriga Aquarium of the Bay, onde pudemos ver de perto e até encostar em alguns espécimes marinhos. De lá, partem os cruzeiros pela baía de São Francisco (ambos passeios inclusos no CityPass).

Também tem o Mission e sua mistura de culturas, hoje predominantemente latina, com arte e críticas sócio-culturais espalhadas pelos muros. O Balmy Alley (entre a Folsom St e a Harrison St, vindo pela 24th St) é uma exposição a céu aberto e um ponto de reflexão sobre a situação dos latinos nos EUA.

Não pudemos deixar de provar o famoso burrito nas redondezas da Mission St e passar a tarde com os jovens na praça Dolores, assim como os hippies o faziam anos atrás. O próspero e liberal bairro de Castro, onde se concentra a comunidade homosseuxual de São Francisco. Isso sem contar os prédios históricos e museus do Civic Center e do SoMa (South of Market), como o San Francisco Museum of Modern Art (ou SFMoMA), que vale muito a pena e também estava incluso em nosso CityPass.

Cada um tem seu lugar preferido em São Francisco e há espaço para todas as tribos. Nos apaixonamos pela cidade, que a partir de agora é uma das nossas preferidas nos Estados Unidos. Talvez melhor ainda seria se desligassem o vento gelado!

Para mais fotos de São Francisco, clique aqui!

 

 

 

10 Comentários

  • Roberta Says

    Oi, pessoal!

    Adoro cada post de vcs! Alcatraz deve ter sido uma experiência incrível mesmo!!
    Só fiquei imaginando o sotaque cairpira/gangsta!
    Até a próxima parada!
    bjaooo

    • 4x1
      4x1 Says

      Oi Roberta!

      Realmente, vistar Alcatraz nos trouxe um sentimento bem diferente!! O ambiente é bastante denso por lá, algo realmente único!
      O sotaque foi bom porque ajudou a descontrair hehehe
      Beijos e até!!

  • Fernanda Says

    Adorei conhecê-los em São Francisco e agora saber mais das experiências de vocês pela cidade. O vento continua frio por aqui, mas nos últimos dias tivemos um “indian summer”, quando dá até para se arriscar em um banho no Pacífico (sei que é difícil de acreditar, mas tinha até uma brisa quente :) Boa sorte nas próximas aventuras!

    • 4x1
      4x1 Says

      Oi Fernanda!! Nós também curtimos muito ter te conhecido por lá!! Foi uma surpresa muito boa para nós!!! Obrigado por ter nos recebido no consulado e por todas as risadas que demos! Grande abraço e aproveite o indian summer enquanto a gente congela aqui no Alasca!!! hehehe

  • Esse relato me fez reviver uma viagem que fiz. Adorei ver as fotos e relembrar os lugares dessa cidade adorável. Continuem curtindo.

    • 4x1
      4x1 Says

      Oi Carmen, que legal que deu pra reviver a sua viagem!! Esses momentos sempre nos trazem as boas memórias de volta e nos recordam que viajar é preciso e faz bem, não é mesmo? Abraços!

  • Excelente galera! Um ótimo retrato de São Francisco. O passeio de bike deve ter sido realmente incrível, já que se pode apreciar muito mais o que a cidade tem a oferecer. Esse do vento gelado eu não sabia. Sempre achei que era uma cidade quente. Em todos os filmes que já assisti com a cidade de São Francisco, em nenhum deles aparece a tal bruma que vocês disseram que é comum no verão. Verão? que verão? Valeu…a viagem continua …

    • 4x1
      4x1 Says

      Oi Rogério, tudo bem por aí? Realmente, o passeio de bike foi um dos pontos altos da nossa passagem pela encantadora San Francisco! Sobre o vento, ele é constante mesmo! Mas dado que a cidade é tão interessante, o vento fica em segundo plano :)

  • Luiza Guimaraes Says

    Queridos aventureiros,
    Essa viagem de vcs continua apaixonante!! As fotos estao incriveis e o relato de voces deixa mto guia turistico no chinelo.
    Sou fã de vcs e desse projeto. Torço muito para que todas as paradas continuem sendo incriveis!! Boas aventuras!!
    Beijos

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