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	<title>4x1 &#187; Venezuela</title>
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	<description>4 Rodas por 1 Continente</description>
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		<title>Fronteira Venezuela &#8211; Colômbia e Santa Marta</title>
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		<pubDate>Mon, 17 Sep 2012 15:48:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[4x1]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Colômbia]]></category>
		<category><![CDATA[Venezuela]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Ficha 4×1 Data: 06/08/2012 a 08/08/2012 Saímos de: Mérida – Venezuela Paramos em: Ciudad Ojeda -Venezuela Destino final: Santa Marta – Colômbia Distância total: Pouco &#8230; <a class="more-btn" href="http://4x1.com.br/santa-marta/">Read more &#187;</a></p>
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				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;"><strong>Ficha 4×1</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Data:</strong> 06/08/2012 a 08/08/2012</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Saímos de:</strong> Mérida – Venezuela</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Paramos em</strong>: Ciudad Ojeda -Venezuela</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Destino final:</strong> Santa Marta – Colômbia</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Distância total: </strong>Pouco mais de 750 km (em 2 dias)</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Trajeto:</strong> De Mérida seguimos em direção Ciudad Ojeda passando por Valera e Agua Viva. Passamos por Maracaibo, San Rafael de el Mojan, Paraguachón já na Colômbia, ate chegar em Santa Marta.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Onde dormimos: </strong>Ciudad Ojeda (barracas dentro de um motel), Santa Marta (Hostel La Brisa Loca na primeira noite e barracas alugadas em Cabo San Juan, dentro do parque Tayrona).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O que comemos de bom:</strong> Bolinhos de batata fritos, recheados com carne moída. Bom custo benefício.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Pneu Cheio:</strong> O campinho de futebol em Cabo San Juan, dentro do parque Tayrona, que permitiu que tivéssemos nossa segunda partida de futebol, integrando pessoas de diferentes paises com uma mesma paixão.</p>
<p><strong>Pneu murcho:</strong> O preço cobrado para turistas de outros de países entrarem no Parque Nacional Tayrona, quase três vezes mais caro que o cobrado para colombianos.</p>
<p><strong><a href="http://4x1.com.br/wp-content/uploads/2012/09/IMG_4213.jpg"><img class="aligncenter" title="IMG_4213" src="http://4x1.com.br/wp-content/uploads/2012/09/IMG_4213-682x1024.jpg" alt="" width="296" height="445" /></a></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Fronteira Venezuela &#8211; Colômbia e Santa Marta</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Saímos de Mérida numa tarde com objetivo de cruzar a fronteira com a Colômbia no dia seguinte. Passamos a noite em Ciudad Ojeda, num motel de beira de estrada depois de termos tentado ficar de graça no estacionamento de um hospital e de um clube, sem sucesso. Acordamos na manha seguinte, às 7:00 da manhã e em 30 minutos estávamos todos prontos, dentro do carro, rumo a nossa segunda fronteira. No meio do caminho, passamos por 2 situações que valem a pena relatar. A primeira delas ocorreu na cidade de Maracaibo, segunda maior cidade na Venezuela, muito conhecida por suas reuniões de negócios relacionadas ao vasto petróleo da região. Na nossa parada para café da manhã, fomos atendidos pela Brenda, uma simpática senhora que nos serviu um pão recheado com queijo e um suco de maçã. Ela nos fez lembrar de uma prática que estamos realizando ao longo da viagem: pedir para uma pessoa local, que de alguma forma tenha colaborado ou ao menos passado um momento agradável com a expedição, colar a bandeira do país na Tanajura.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://4x1.com.br/wp-content/uploads/2012/09/IMG_41771.jpg"><img class="aligncenter size-large wp-image-1873" title="IMG_4177" src="http://4x1.com.br/wp-content/uploads/2012/09/IMG_41771-1024x682.jpg" alt="" width="423" height="281" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Com a fome saciada e a bandeira colada, seguimos em direção a fronteira. Em San Rafael, já quase na divisa, fomos forçados a parar o carro, já que a pista principal estava fechada. Havia ônibus e carros atravessados na pista, fogo em alguns pneus e várias pessoas juntas gritando para um outro grupo mais afastado que não conseguíamos ver. Resolvemos retornar e seguir por um caminho alternativo, a primeira rua paralela a aquela da manifestação. Para nossa surpresa, haviam várias pessoas com cordas atravessando a rua, cobrando uma espécie de pedágio. Em função do clima que estava nas redondezas, não hesitamos em pagar os 10 bolívares (R$ 2,50 aprox.) sugeridos por um motoboy que havia indicado o caminho. Pior que pagar um pedágio que não existe, foi ter que pagar 4 vezes, já que a cada 10, 15 metros havia uma corda dessas. Na última barreira o que não faltava era motoqueiro, cercando a rua. Foi um momento de tensão que durou pouco tempo. Logo que nos abordaram na janela do carro, perguntaram de onde éramos, e ao falar Brasil e fazer brincadeiras sobre futebol, logo fomos liberados para seguir nosso caminho. Alguns metros a frente, e nos deparamos com o outro grupo, que não tínhamos visto antes. Eram policiais que estavam tentando conter a manifestação. No nosso entendimento o motivo estava relacionado ao tráfico de combustível que existe ao redor da fronteira. Na verdade, os locais estavam incomodados com a fiscalização que é feita pelos policiais e eventualmente impede o comércio ilegal. Ainda do lado venezuelano, próximo a fronteira, fomos surpreendidos com uma taxa de saída do país no valor de 90 bolívares por pessoa, equivalente a R$ 20,00. Ao pagar essa taxa, nós recebemos um cartão que garantiria o carimbo de saída no passaporte alguns quilômetros mais a frente. Já para liberar a saída do carro, não foi necessário pagar nada.</p>
<p style="text-align: justify;">Com toda a burocracia resolvida do lado venezuelano, chegamos em solo colombiano, mais especificamente em Paraguachón, às 13:00, horário local. Essa é a principal fronteira terrestre, tanto em tráfego de pessoas quanto em termos de transporte de carga. O processo de entrada foi simples e barato, tanto para nós quanto para o carro. Ao todo, gastamos pouco mais de 12.000 pesos colombianos, equivalente a R$ 13,00 aproximadamente, usados para tirar algumas xerox e pagar um rapaz que “registrou num plástico” o número do chassi do carro. De lá seguimos direto para Santa Marta, nosso primeiro destino na Colômbia. Com a ajuda do guia, encontramos o Hostel La Brisa Loca, que possuía uma ótima localização e era super bem recomendado.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://4x1.com.br/wp-content/uploads/2012/09/IMG_4256.jpg"><img class="aligncenter size-large wp-image-1866" title="IMG_4256" src="http://4x1.com.br/wp-content/uploads/2012/09/IMG_4256-1024x682.jpg" alt="" width="423" height="281" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Depois de apresentarmos o projeto para os dois proprietários, que são irmãos, conseguimos uma noite de graça. O Hostel foi montado numa espécie de mansão antiga. Eram três andares, com inúmeros quartos e um vão central que terminava numa piscina logo no primeiro andar. Na cobertura, haviam alguns aparelhos de ginástica, onde se podia ter uma boa vista da cidade enquanto queimávamos um pouco de caloria adquiridas com as arepas. Do pouco que visitamos na área urbana de Santa Marta, o que mais chamou nossa atenção foi a Catedral Basílica de Santa Marta, uma das mais antigas da américa do Sul e onde foi enterrado Símon Bolívar.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://4x1.com.br/wp-content/uploads/2012/09/IMG_4233.jpg"><img class="aligncenter size-large wp-image-1865" title="IMG_4233" src="http://4x1.com.br/wp-content/uploads/2012/09/IMG_4233-1024x682.jpg" alt="" width="423" height="281" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Depois de sairmos do hostel, fomos para o parque nacional Tayrona, conhecido por suas belas praias e trilhas.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://4x1.com.br/wp-content/uploads/2012/09/IMG_4270.jpg"><img class="aligncenter size-large wp-image-1867" title="IMG_4270" src="http://4x1.com.br/wp-content/uploads/2012/09/IMG_4270-1024x682.jpg" alt="" width="423" height="281" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Mas antes de falar da nossa experiência dentro do parque, vale relatar a discriminação que existe entre locais e estrangeiros. É fato que em alguns lugares se cobram preços diferenciados na entrada das atrações turísticas. Porém, para um estrangeiro entrar no parque o valor a ser pago é aproximadamente o triplo daquele pago por um local. O valor que nos foi cobrado por pessoas foi de 36.500 pesos colombianos, equivalente a aproximadamente R$ 40,00. Além disso, se cobra 10.500 pesos colombianos para o carro entrar no parque e mais 7.000 pesos colombianos por noite que carro fica estacionado lá dentro. Essa situação nos deixou bastante insatisfeitos pois, apesar de ser um local caro e ainda existir essa diferenciação entre os turistas, o serviço não é lá essas coisas dentro do parque. Pegamos uma fila de mais de 1 hora para entrar, as trilhas nem sempre tem sinalização e o restaurante que comemos não aceitava cartão de crédito em determinadas situações, como no café da manhã por exemplo. O parque é enorme, com vegetação fechada, lembrando em alguns momentos nossa mata atlântica.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://4x1.com.br/wp-content/uploads/2012/09/IMG_4278.jpg"><img class="aligncenter size-large wp-image-1869" title="IMG_4278" src="http://4x1.com.br/wp-content/uploads/2012/09/IMG_4278-1024x682.jpg" alt="" width="423" height="281" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Depois de quase duas horas de caminhada, chegamos em Cabo San Juan, a última praia do parque. Havia uns 4 metros de areia, entre o camping e a cristalina água do mar. A extensão da praia não chegava a 500m. O visual era realmente fantástico.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://4x1.com.br/wp-content/uploads/2012/09/IMG_4274.jpg"><img class="aligncenter size-large wp-image-1868" title="IMG_4274" src="http://4x1.com.br/wp-content/uploads/2012/09/IMG_4274-1024x682.jpg" alt="" width="423" height="281" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Passamos a noite acampados em uma barraca, aluagada lá mesmo, já que a opção mais barata que era dormir em rede, já estava esgotada. Um diferencial do camping para nós brasileiros e sul americanos como um todo, amantes de futebol, era o campinho de terra batida de frente para o mar.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://4x1.com.br/wp-content/uploads/2012/09/IMG_4280.jpg"><img class="aligncenter size-large wp-image-1870" title="IMG_4280" src="http://4x1.com.br/wp-content/uploads/2012/09/IMG_4280-1024x682.jpg" alt="" width="423" height="281" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Num fim de tarde, logo depois de algumas embaixadinhas e chutes pro gol entre nós, apareceram peladeiros de todos os lugares: argentinos, colombianos, venezuelanos, alem de espanhóis, australianos e búlgaros. O entrosamento do time 4&#215;1 e seus agregados, nos ajudou no placar.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://4x1.com.br/wp-content/uploads/2012/09/IMG_4284.jpg"><img class="aligncenter size-large wp-image-1871" title="IMG_4284" src="http://4x1.com.br/wp-content/uploads/2012/09/IMG_4284-1024x682.jpg" alt="" width="423" height="281" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Antes do nos despedirmos do parque e de Santa Marta, da beleza do lugar e dos agradáveis momentos que passamos, não deixamos de registrar nossa insatisfação no livro do parque em função do que chamamos de abuso e exploração aos turistas.</p>
<p style="text-align: justify;">Para mais fotos sobre Santa Marta, <strong><a title="Fotos de Santa Marta - Flickr" href="http://www.flickr.com/photos/4x1/sets/72157631553005528/" target="_blank">clique aqui</a></strong>!</p>
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		<title>Mérida e Alguns Retratos da Venezuela</title>
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		<pubDate>Wed, 05 Sep 2012 07:57:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[4x1]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Venezuela]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Ficha 4&#215;1 Data: 03/08/2012 a 06/08/2012 Saímos de: Ciudad Bolívar &#8211; Venezuela Paramos em: Valencia e Mérida Destino final: Ciudad Ojeda &#8211; Venezuela Distância total: &#8230; <a class="more-btn" href="http://4x1.com.br/merida-e-retratos-da-venezuela/">Read more &#187;</a></p>
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]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong>Ficha 4&#215;1</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Data:</strong> 03/08/2012 a 06/08/2012</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Saímos de:</strong> Ciudad Bolívar &#8211; Venezuela</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Paramos em</strong>: Valencia e Mérida</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Destino final:</strong> Ciudad Ojeda &#8211; Venezuela</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Distância total: </strong>pouco mais de 1.800 km (em 4 dias)<strong></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Trajeto*:</strong> De Ciudad Bolivar seguimos em direção à Barcelona e depois à Caracas até que paramos em Valencia para dormir. De Valencia seguimos para Mérida. De Mérida para Ciudad Ojeda passamos por Valera e Agua Viva (caminho diferente da ida para Mérida). Estradas no geral com boas condições, no entanto, em geral, em mão dupla.</p>
<p style="text-align: justify;">*obs.: Percebemos que na Venezuela seria mais apropriado seguirmos as placas do que o próprio GPS. O GPS apontava caminhos mais curtos, mas ao nos certificamos com os venezuelanos sobre as condições da estrada, riscos, etc. com relação ao trajeto apontado, eles recomendavam as estradas indicadas pelas placas. Sendo assim dirigimos 90% do tempo à luz do dia e seguindo as placas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Onde dormimos:</strong> Valencia (Barracas dentro de um motel), Mérida (Posada Suiza), Ciudad Ojeda (barracas dentro de um motel).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O que comemos de bom:</strong> As <strong>trutas</strong> e as <strong><em>fresas com crema</em></strong> (morango com chantili) em Mérida.<strong></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Pneu Cheio:</strong> As vistas pela serra do Parque Nacional Sierra Nevada no caminho para Mérida, com belas casinhas, restaurantes, frutas e doces no caminho.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Pneu murcho:</strong> As placas das estradas que nos obriga a cruzar pelo “meio” de Caracas onde pegamos um trânsito enorme numa sexta-feira final de tarde! À lá São Paulo em saída de feriado prolongado.</p>
<p style="text-align: center;"><strong><a href="http://4x1.com.br/wp-content/uploads/2012/09/IMG_4129.jpg"><img class="aligncenter" title="IMG_4129" src="http://4x1.com.br/wp-content/uploads/2012/09/IMG_4129-1024x686.jpg" alt="" width="423" height="283" /></a></strong></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><em><em>A passagem pela Venezuela foi uma experiência muito completa sob diversas óticas. Foram aproximadamente 2.800 km percorridos. Passamos por savana, praia e altas montanhas. Vimos um país sufocado por um governo socialista autoritário, mas ainda com fortíssimos traços do imperialismo norte-americano em sua cultura. Sofremos das bruscas variações de altitude e temperatura, bem como pudemos apreciar belas vistas e casas em estilo europeu. Vivemos as facetas de uma Venezuela que busca uma mudança, mas que ainda sofre de certos paradigmas que assolam o país.</em> </em></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Saímos de Ciudad Bolívar de manhã após nos desencorajarem a dirigir até El Tigre durante a noite. Naquela manhã percebemos o porquê: a estrada possui 100km de reta!! Isso mesmo, há apenas uma curva. Então nos explicaram que algumas vezes motoristas cochilam “entediados” pela morosidade do caminho tornando o trecho um pouco perigoso. De El Tigre seguimos para Barcelona e de lá resolvemos dar uma parada de 20 min em Boca de Uchire para ver a praia, dado que estávamos “colados” ao mar do Caribe. Boca de Uchire é uma praia de areias claras, com o mar um pouco aberto e, por estar perto de um centro urbano, não tem nada de muito especial. No entanto, ela fica localizada no Estado de Anzoategui numa região conhecida por ser a Rota do Sol do país, por suas belas praias e sendo fortemente movimentada pelo turismo, principalmente proveniente de Caracas. Puerto La Cruz é uma das principais cidades e o balneário ainda consta com outras praias e passeios para as ilhas próximas à costa. Ficará para uma próxima.</p>
<p style="text-align: justify;">Como é de se esperar, a Expedição  4&#215;1 nos proporciona alguns sentimentos interessantes que antes não tínhamos. Um deles é o fato de não darmos muito conta de que dia da semana estamos vivendo. Constantemente na estrada e sem regras ou rotina definida, a diferença entre ‘dias da semana’ X ‘finais de semana’, volta e meia passa despercebida e frequentemente nos pegamos sem saber que dia da semana estamos. Cedo ou tarde essa desatenção nos pregaria uma peça&#8230;Tiramos a areia dos pés e pulamos pra dentro da Tanajura. Saímos de Boca de Uchire seguindo as placas em direção à Caracas e Valencia (embora mais longo, esse era o melhor caminho para Mérida na opinião de inúmeros Venezuelanos que conversamos). Mas aquele dia era uma sexta e quando nos demos conta estávamos entrando em Caracas as 17h30!! Pra que?! Aqueles que moram em SP sabem bem o que é cruzar a marginal nesse horário, nesse dia da semana. Em Caracas foi parecido: rodamos aprox. 60 km em 4 horas!! O pior trânsito da expedição até agora! Já era de noite quando saímos de Caracas e isso nos forçou a parar em Valencia para dormir. Com a cidade lotada (provavelmente por causa de um discurso do Chávez nos próximo dias) montamos as barracas em um motel na estrada já saindo de Valencia.</p>
<p style="text-align: justify;">Na manhã seguinte, logo cedo, saímos em direção a Mérida. Era hora de entrarmos pela primeira vez nos Andes, que para nosso espanto, chegava até a Venezuela – devemos confessar que até antes de pesquisarmos mais sobre a região, a maioria de nós desconhecia essa informação. Mérida é o principal polo turístico das cordilheiras venezuelanas e fica localizada a 1.600m de altitude.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://4x1.com.br/wp-content/uploads/2012/09/IMG_4138.jpg"><img class="aligncenter size-large wp-image-1787" title="IMG_4138" src="http://4x1.com.br/wp-content/uploads/2012/09/IMG_4138-1024x682.jpg" alt="" width="423" height="281" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">A cidade que vivia da agricultura hoje tem no turismo sua principal atividade econômica e, ainda, a Universidade de Los Andes que atrai muitos estudantes e investimento em ciência e tecnologia. Mérida possui aproximadamente 300 mil habitantes e fica entre a Sierra Nevada e a Sierra La Culata. A estrada que leva até lá possui muitas curvas, algumas incríveis vistas do vale e rios da região e, quando menos percebemos, estávamos a pouco mais de 4.000 metros de altitude. Era 11h30 da manhã e a temperatura estava na casa dos 14˚C quando resolvemos dar uma parada para algumas fotos e comprar alguns doces que eram vendidos em diversas lojinhas bem arrumadas na beira da estrada. Ali fomos abordados por um simpático médico Venezuelano que viajava com sua família inteira e ficou surpreso com a Expedição 4&#215;1.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://4x1.com.br/wp-content/uploads/2012/09/IMG_4132.jpg"><img class="aligncenter" title="IMG_4132" src="http://4x1.com.br/wp-content/uploads/2012/09/IMG_4132-1024x682.jpg" alt="" width="423" height="281" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Ofereceu-nos algumas cervejas e batemos um papo com ele por mais de meia hora! Aproveitamos que ainda estava claro e resolvemos dar uma volta rápida pelo Parque Nacional de Sierra Nevada, onde muitos turistas estavam fazendo piqueniques. O Parque possui muitas trilhas e picos muito altos com altitudes superiores a 4.000 m. O pico mais alto da Venezuela – pico Bolívar, 4.981 m – fica na região.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><a href="http://4x1.com.br/wp-content/uploads/2012/09/IMG_4165.jpg"><img class="aligncenter" title="IMG_4165" src="http://4x1.com.br/wp-content/uploads/2012/09/IMG_4165-1024x682.jpg" alt="" width="423" height="281" /></a></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Chegamos a Mérida já no final de tarde e depois de muito rodarmos e tentarmos parceria decidimos ficar hospedados no hostel Posada Suiza que tinha ótimos preços já que a cidade estava cheia por conta do final de semana. Mérida também é conhecida por possuir um dos maiores e mais longos teleféricos do mundo (que infelizmente está desativado há alguns anos por motivo de manutenção). Infelizmente nosso tempo na cidade acabou sendo curto. Primeiramente porque tínhamos mesmo um prazo enxuto, pois tínhamos data definida para estarmos em Cartagena para o envio da Tanajura. Além disso, tivemos de aproveitar o raro momento de boa conexão na Venezuela para gastarmos algumas horas atualizando nosso site e cumprir nossas atividades com alguns patrocinadores. Mas lá também tivemos um susto quando, no segundo dia ali na cidade, o Gustavo teve febre e dores de cabeça em horário muito similar ao do dia anterior, quando chegamos. Nessa noite ele vomitou algumas vezes e foi o suficiente para ficarmos preocupados, pois afinal, há algumas semanas atrás estávamos na Amazônia e aqueles sintomas eram muito similares ao da Malária. Sendo assim na manhã seguinte – após falar por telefone com a Dra Karina (do Ambulatório dos Viajantes no HC, com quem tínhamos contato) – ele foi logo cedo com o André para o hospital para fazer o exame específico que constataria se estava ou não com a doença. Após muitas horas ali e muita apreensão recebemos a boa notícia de que ele não possuía o protozoário da doença.</p>
<p style="text-align: justify;">Embora a passagem tenha sido curta conseguimos conhecer bem a cidade e apreciar uma bela vista na subida ao <em>páramo</em> La Culata, próximo à cidade.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://4x1.com.br/wp-content/uploads/2012/09/IMG_4156.jpg"><img class="aligncenter" title="IMG_4156" src="http://4x1.com.br/wp-content/uploads/2012/09/IMG_4156-1024x682.jpg" alt="" width="423" height="281" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">O muito frequentado pico possui, além do incrível visual, barracas de artesanato local, doces típicos (como as deliciosas <em>fresas com crema</em> &#8211; morango com chantili), tirolesa e passeios a cavalos para crianças. Em uma das barracas de artesanatos conversamos por um longo tempo com um venezuelano que havia vivido no Brasil e que nos deu algumas bijuterias feitas por ele &#8211; curioso era o nome de sua amável filha de 12 anos – Rodaluna, onde o ‘Roda’ era em homenagem às rodas de capoeira!</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://4x1.com.br/wp-content/uploads/2012/09/IMG_4155.jpg"><img class="aligncenter size-large wp-image-1789" title="IMG_4155" src="http://4x1.com.br/wp-content/uploads/2012/09/IMG_4155-1024x682.jpg" alt="" width="423" height="281" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">A passagem pela Venezuela foi intensa e algumas coisas nos chamaram muito a atenção:</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>1)</strong> O país ainda vive da forte influência política do governo autoritário de Hugo Chávez. Há mais de 14 anos no poder, o Presidente – que assumiu o governo com ideais de melhorias para as classes mais carentes, tais como erradicar o analfabetismo e a desnutrição – conseguiu ser reeleito mais de uma vez através de plebiscitos, aproveitando sua fortíssima influência perante essas classes, que compõe a maioria no país. Com um governo com fortes características socialistas e empresas nacionalizadas, Chávez também conta – claro – com amplo apoio da grande classe de servidores públicos. Em ano de eleições presidenciais pudemos presenciar uma grande movimentação de campanha ao longo de todo o país e algumas coisas nos “chocaram”, como por exemplo: músicas entoadas em um posto de gasolina em uma região humilde, próximo às fronteiras com Brasil e Guiana, em que suas letras bradavam contra o imperialismo norte-americano e a globalização. Evocando a revolução socialista e a luta armada, falando sobre os feitos de Chávez em favor das comunidades mais carentes; clamando nomes como Simón Bolívar, Che Guevara, entre outros revolucionários e chamando países sul-americanos de “vendidos” às políticas do ‘Tio Sam’.  Panfletos, outdoors e pinturas em paredes com a imagem de Hugo Chávez são vistas inúmeras vezes ao longo de todo o país – especialmente agora que as eleições serão em Outubro – e com maior frequência tal qual seja o desenvolvimento econômico da cidade. Ou seja, em cidades maiores e mais urbanizadas essa incidência cai um pouco e imagens de seu atual concorrente – Capriles Radonski – começam a aparecer um pouco mais.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://4x1.com.br/wp-content/uploads/2012/09/IMG_4143.jpg"><img class="aligncenter" title="IMG_4143" src="http://4x1.com.br/wp-content/uploads/2012/09/IMG_4143-682x1024.jpg" alt="" width="296" height="445" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Conversando com alguns Venezuelanos sentimos que a classe média é a mais insatisfeita com o autoritarismo do atual presidente e alguns desses o acusavam de um populismo exacerbado. Por isso o aumento das imagens de Capriles nestas cidades mais ‘desenvolvidas’. Curioso também foi o fato de presenciarmos partidários Chavistas pintarem ou rasgarem as imagens de Capriles e, algumas vezes, pintarem ou colarem a de Chávez por cima.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>2)</strong> Uma curiosidade que não sabíamos é que no nome do país contém uma referência a Simón Bolívar: Republica Bolivariana de Venezuela – O importante libertador sul-americano nasceu na Venezuela e teve grande influência política no país. Por isso, muitas praças, ruas, cidades e até o pico mais alto da Venezuela, recebem o nome de Bolívar.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>3)</strong> Outra coisa que nos chamou muito à atenção são alguns costumes “norte-americanizados” no país. Uma das refeições mais tradicionais do país é o frango frito com batatas. Mas curioso é que muitos restaurantes servem o frango frito em baldes ou recipientes, acompanhados com salada de repolho (em inglês, <em>coleslaw)</em> e batatas-fritas – muito similar ao modelo de grandes redes americanas. Ficamos surpresos, também, com a forte penetração de mercado das montadoras Ford e GM. Numa análise precipitada com base nos dias que ficamos lá, daria pra arriscar que as duas juntas detém mais de 60% do mercado, principalmente com carros grandes (SUVs e Pickups) ou modelos antigos, das décadas de 70 e 80 como, por exemplo, o Ford Gran Torino. Mas é claro que eles podem dar-se ao “luxo” de andarem em carros de grande consumo de combustível: preço da gasolina é absurdamente barato!</p>
<p style="text-align: justify;">E por falar em subsídio de combustível, apesar de o país possuir uma economia fortemente dependente do petróleo e ainda viver um regime autoritário, a Venezuela é um dos países que mais avançou na redução da desigualdade social na América Latina (de acordo com um estudo elaborado pela CEPAL em 2011 (<a title="CEPAL 2011" href="http://www.eclac.cl/publicaciones/xml/3/45173/2011-820-PSP-Sintese-Lanzamiento.pdf" target="_blank">clique aqui</a> caso queira ver o estudo).</p>
<p style="text-align: justify;">A passagem pela Venezuela foi muito especial para nós, pois pudemos conhecer mais a fundo um país com uma “personalidade” política tão forte e com características tão diferentes da realidade que estamos acostumados a ver em nosso país ou em vizinhos que nos são mais familiares. Pudemos presenciar também uma natureza rica e heterogênea que nos foi apresentada por um povo que – ouvido da própria boca de um Venezuelano – trabalha em busca de mudar a velha impressão de um país que, infelizmente, ainda é visto por muitos como um estranho desconhecido.</p>
<p style="text-align: justify;">Para mais fotos da nossa passagem por Mérida, <a title="Fotos de Mérida - Flickr" href="http://www.flickr.com/photos/4x1/sets/72157631417170058" target="_blank">clique aqui</a>! =)</p>
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		<title>Parque Nacional de Canaima (Venezuela) – Balé das Águas</title>
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		<pubDate>Fri, 31 Aug 2012 19:03:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[4x1]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Venezuela]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Ficha 4&#215;1 Data: 31/07/2012 à 02/08/2012 Saímos de: Ciudad Bolivar, Venezuela Destino: Parque Nacional de Canaima, Venezuela Distância: 180 km Tempo de viagem: Cerca de &#8230; <a class="more-btn" href="http://4x1.com.br/canaima/">Read more &#187;</a></p>
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]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong>Ficha 4&#215;1</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Data: </strong>31/07/2012 à 02/08/2012<strong></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Saímos de:</strong> Ciudad Bolivar, Venezuela<strong></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Destino:</strong> Parque Nacional de Canaima, Venezuela</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Distância:</strong> 180 km</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Tempo de viagem:</strong> Cerca de uma hora</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Trajeto:</strong> Pegamos um avião monomotor do aeroporto de Ciudad Bolivar até Canaima.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Onde dormimos:</strong> Acampamento da Tiuna Tours</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Pneu cheio: O visual da Lagoa de Canaima é único! </strong>A sequência de quedas d’água desaguando em uma bela lagoa em frente à praia, com vista das mesetas de fundo foi uma paisagem inesquecível e nos marcou mais que o próprio Salto Angel.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Pneu murcho: Má acomodação e despreparo dos guias. </strong>O serviço prestado pela Tiuna Tours de maneira geral durante o passeio não foi dos melhores. O guia não explicava coisa alguma, a comida era a mesma todos os dias e a acomodação era bem mais ou menos. São detalhes que incomodaram um pouco durante a nossa visita àquele paraíso.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Parque Nacional de Canaima (Venezuela) – Balé das Águas</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Dizem que ir à Venezuela e não conhecer o Salto Angel é como ir ao Peru e deixar de visitar Machu Pichu. O principal cartão do postal do país realmente impressiona pela grandiosidade. O Salto Angel é a maior cachoeira do mundo com quase 1 km de queda d’água (979 metros, sendo que 807m são ininterruptos). Com este cartão de visita, não poderíamos deixar de incluí-lo em nossa rota e decidimos que este seria nosso primeiro atrativo a ser visitado na Venezuela.</p>
<p style="text-align: justify;">A cachoeira está no coração do Parque Nacional de Canaima, localizado a sudeste do país e relativamente próximo à fronteira com o Brasil. Por mais que fosse grande a vontade de chegar lá com a Tanajura, nossa amiga teria que nos esperar dessa vez, já que a única maneira de acessar o parque é por avião. Os vôos partem regularmente de Ciudad Bolivar e Puerto Ordaz, cidades localizadas pouco mais ao norte fronteira (aproximadamente 700 e 600 km para dentro da Venezuela). Optamos por sair de Ciudad Bolivar, uma vez que a cidade apresenta maior número de agências que realizam o passeio. Descobrimos mais tarde que seria mais negócio sair de Puerto Ordaz, dado que o passeio acaba saindo mais barato pela maior proximidade do trecho feito de avião. Vai ficar para a próxima.</p>
<p style="text-align: justify;">Para ter uma noção do custo deste passeio, chegamos a buscar orçamento em uma agência na cidade de Santa Elena do Uarén, logo cruzando a divisa com o Brasil. A menina que nos atendeu na Adventure Tours esbanjava simpatia e até arriscava um português. As gargalhadas explodiram quando ela, depois de explicar o conteúdo do pacote, nos passou o preço: Bs 3900 (bolívares venezuelanos)!!! Era o equivalente a R$870, com a taxa de câmbio que conseguimos na fronteira (1R$ = Bs 4.5). Caríssimo! O preço era muito maior do que havíamos pesquisado para 3 dias e 2 noites em Canaima. A esse preço não faríamos o passeio. Deixamos a sorte para Ciudad Bolivar, onde tentaríamos negociar algo mais em conta.<strong></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Caminhando pelo casco histórico de Ciudad Bolivar, em direção à catedral da cidade, trombamos com a Excursiones Salto Angel, uma pequena agência de turismo gerenciada por um jovem casal, Rodman e Carla. Dessa vez, além da simpatia de sobra, o preço não era assustador: Bs 2500 (ou quase R$560). Muito menos do que o absurdo que nos foi oferecido em Santa Elena do Uarén. Depois de negociarmos mais um pouco, conseguimos fechar negócio por US$240 (+- Bs 2100 ou R$480). Além disso, teríamos que pagar Bs 30 (+- R$7) pela taxa aeroportuária e mais Bs 150 (+-R$33) para entrada no parque. Ainda circulamos por outras agências localizadas no aeroporto local em busca de um preço mais em conta, mas não encontramos. O Rodman de quebra nos ofereceu estadia em sua casa, na própria agência. Não pudemos recusar.</p>
<p style="text-align: justify;">É ano eleitoral na Venezuela e era impossível estar lá e não perguntar a um Venezuelano sua posição em relação ao polêmico presidente do país. Aliás, o assunto nos saltava à vista a cada esquina, havia cartazes de Hugo Chavez por todos os cantos. “Corazón de mi pátria” era seu slogan depois de se recuperar da cirurgia. Há quem diga que ele nunca teve problemas de coração, e esta era só mais uma manobra marqueteira. Nunca vamos saber. Seu opositor Capriles Radonski também estava presente em alguns dos postes, mas em uma quantidade bem menor.</p>
<p style="text-align: justify;">Conversamos sobre isso com o Rodman, opositor ao atual regime de Chavez. Sua visão era de que a falta de investimento privado no país com a nacionalização de empresas de diversos setores só aumenta a ineficiência da máquina estatal e impede o país de gerar empregos. Rodman acredita que a política assistencialista de Chavez aliada à grandeza do funcionalismo público no país deveria reelegê-lo mias uma vez. Pelo que pudemos perceber, Chavez representa uma dicotomia de amor e ódio entre os venezuelanos, com o fanatismo ressaltando em ambos os casos. Assunto delicado no país.</p>
<p style="text-align: justify;">Jantamos em um restaurante que Rodman nos indicou. Imaginem uma cozinha simples, repleta de panelas e outros utensílios antigos, duas ou três mesas pequenas e algumas cadeiras. Para completar, uma senhora de sorriso fácil preparando o jantar. A sensação era de que estávamos na casa de nossas avós, esperando o jantar ser servido. O lugar era extremamente aconchegante. Imaginamos como um negócio simples daquele faria sucesso em São Paulo, onde as pessoas, que vivem no ritmo frenético da cidade, não sabem mais o que é uma comida caseira. Foi um belo jantar antes da nossa partida à Canaima na manhã do dia seguinte.</p>
<p style="text-align: justify;">Acordamos cedo. Havia um táxi a nossa espera lá fora. Rodman já o havia instruído a nos levar ao lugar que acredita ser o melhor da cidade para provar as famosas arepas, iguaria típica na Venezuela, antes de seguirmos ao aeroporto. As arepas são massas de milho fritas em formato de disco que os venezuelanos costumam comer diariamente no café-da-manhã puro ou com manteiga. Comercialmente, costuma-se adicionar recheio. Neste lugar ao lado do aeroporto as opções de recheio eram várias: carne, frango, queijo, polvo, entre outras. Muito bem servidas, estavam uma delícia!</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://4x1.com.br/wp-content/uploads/2012/08/IMG_3655.jpg"><img class="aligncenter size-large wp-image-1763" title="IMG_3655" src="http://4x1.com.br/wp-content/uploads/2012/08/IMG_3655-1024x682.jpg" alt="" width="423" height="281" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Sabíamos que nosso avião seria de pequeno porte, mas não imaginávamos quão minúsculo ele era de verdade. Nossa carona até Canaima era num monomotor da Rutaca, companhia aérea venezuelana. Juntamente com o piloto, completávamos o avião que tinha capacidade para exatamente cinco passageiros. O frio na barriga era inevitável, nunca havíamos andado em um avião tão pequeno. Motor em funcionamento e o teco-teco começa a se mover. Ainda com a janela aberta, sentíamos o vento no caminho da pista de decolagem. O avião tremia incessantemente e o barulho do motor era ensurdecedor. Uma pequena pausa para respirarmos e o avião acelera em velocidade. Enquanto o barulho e a tremedeira se intensificam o avião finalmente levanta vôo. Tudo tranquilo até aqui. Foi quando que, ao primeiro suspiro de alívio, um susto! Um urubu que se aproximava cada vez mais rápido atingiu com violência a asa direita do avião, que balançou instantaneamente. O pequeno alívio da decolagem deu lugar à apreensão. O silêncio tomou conta de nós no avião enquanto o piloto analisava a avaria. Alguns minutos de observação e por fim, um sorriso: “Todo bien!” Finalmente, poderíamos respirar. A partir daí, o resto da viagem foi com emoção, muita emoção.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://4x1.com.br/wp-content/uploads/2012/08/IMG_3656.jpg"><img class="aligncenter size-large wp-image-1764" title="IMG_3656" src="http://4x1.com.br/wp-content/uploads/2012/08/IMG_3656-1024x682.jpg" alt="" width="423" height="281" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">A vista de cima é maravilhosa. O Parque é cercado de imensas mesetas de rocha chamadas <em>tepuyes</em>, cortadas por rios e colorida pela densa vegetação. Cerca de uma hora de vôo e descemos no pequeno aeroporto de Canaima. Um guia já nos esperava para levar ao acampamento da Tiuna Tours, a alguns minutos a pé do aeroporto.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://4x1.com.br/wp-content/uploads/2012/08/IMG_4103.jpg"><img class="aligncenter size-large wp-image-1762" title="IMG_4103" src="http://4x1.com.br/wp-content/uploads/2012/08/IMG_4103-1024x682.jpg" alt="" width="423" height="281" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://4x1.com.br/wp-content/uploads/2012/08/IMG_3684.jpg"><img class="aligncenter size-large wp-image-1756" title="IMG_3684" src="http://4x1.com.br/wp-content/uploads/2012/08/IMG_3684-1024x682.jpg" alt="" width="423" height="281" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">A acomodação não é nem de perto das melhores, muito menos a comida, mas tudo bem, o nosso maior intuito não era comer e dormir mesmo. Acabamos sendo encaixados em um grupo que já estava por lá e o passeio que deveríamos fazer no dia seguinte, faríamos naquele mesmo dia. Mal chegamos e deveríamos partir para uma caminhada em direção ao barco que nos levaria à cachoeira mais alta do mundo.</p>
<p style="text-align: justify;">O caminho é longo, ainda mais para quem já havia tomado um vôo de uma hora. Depois da caminhada de cerca de 40 minutos, a viagem de canoa motorizada leva aproximadamente 3 horas rio acima. Fomos alertados de que poderíamos nos molhar no caminho. Na verdade, nos encharcamos! A correnteza dos rios é fortíssima, de maneira que algumas vezes parecíamos estar em pleno mar aberto, com ondas em todas as direções. Era como um rafting sem remos. Seria até divertido se não fosse tão longo.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://4x1.com.br/wp-content/uploads/2012/08/IMG_4044.jpg"><img class="aligncenter size-large wp-image-1759" title="IMG_4044" src="http://4x1.com.br/wp-content/uploads/2012/08/IMG_4044-1024x682.jpg" alt="" width="423" height="281" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">De longe, em meio à névoa, a figura do Salto Angel começava a aparecer. É de impressionar. Era fim de tarde quando chegamos ao acampamento, próximo à base da gigantesca queda d’água. Como já era tarde, ficaríamos no acampamento, uma vez que a visita ao ponto mais próximo ao Salto Angel implica seguir uma trilha de aproximadamente uma hora. Esta seria feita no dia seguinte, bem cedo.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://4x1.com.br/wp-content/uploads/2012/08/IMG_3744.jpg"><img class="aligncenter  wp-image-1758" title="IMG_3744" src="http://4x1.com.br/wp-content/uploads/2012/08/IMG_3744-682x1024.jpg" alt="" width="296" height="445" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Jogamos conversa fora com o pessoal do nosso grupo (um simpático casal de alemães, dois venezuelanos e outro casal composto por um dinamarquês e uma americana) antes de ir dormir. Passamos a noite em redes, amarradas em uma cabana no meio da mata. Assim como havíamos feito na Amazônia, com menos caranguejeiras dessa vez (pelo menos as que vimos!).</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://4x1.com.br/wp-content/uploads/2012/08/IMG_4070.jpg"><img class="aligncenter size-large wp-image-1760" title="IMG_4070" src="http://4x1.com.br/wp-content/uploads/2012/08/IMG_4070-1024x682.jpg" alt="" width="423" height="281" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">5 horas da manhã e todos já de pé para fazer a trilha. Era tão cedo, que o café-da-manhã só tomaríamos mais tarde. São cerca de 40 minutos até o mirante do Salto Angel. Lá se pode ver mais de perto o gigante venezuelano. Uma pena que o tempo não nos favoreceu. Diferente do dia anterior, estava chovendo e uma neblina cobria invariavelmente o topo do Salto. Sorte que tiramos algumas fotos mais nítidas no dia anterior do próprio acampamento. Seguindo um pouco mais adiante na trilha, pudemos mergulhar em um poço formado em meio à queda d’água do Salto Angel. Estava frio e chovendo, mas era uma oportunidade única na vida. Um pouco de coragem e estávamos na água, pelo menos alguns de nós.</p>
<p style="text-align: justify;">Fizemos a trilha de volta e depois do café-da-manhã arrumamos as malas para mais 3 horas de volta pelo rio. O passeio torna-se um pouco cansativo pela distância sentado na canoa de madeira, levando rajadas de água na cara depois de passar uma noite na rede montada no meio do nada. Mas é o preço a se pagar para ver a maior cachoeira do mundo.</p>
<p style="text-align: justify;">De volta ao acampamento da Tiuna Tours, tínhamos outro passeio agendado para a tarde. Ele consistia em uma volta pela lagoa de Canaima, de onde se pode observar uma sequência de três quedas d’água (Salto Ucaima, Salto Golondrina e Salto Hacha), seguido de uma visita ao Salto Sapo e Salto Sapito. A vista das quedas d’água da lagoa é difícil de descrever. Era como um espetáculo das águas, o lugar é bonito demais. Os <em>tepuyes</em> ao fundo dão um charme especial à paisagem. A visita ao Salto Sapo foi ainda mais surpreendente: poderíamos caminhar debaixo da cachoeira, por detrás da parede de água. É muito divertido, água para todo lado! Depois ainda podemos ter a vista do topo da queda d’água. Mais um visual de tirar o fôlego. Sendo sinceros, nos divertimos mais neste passeio do que no famoso Salto Angel, mas essa seria uma bela discussão.</p>
<p style="text-align: justify;">No caminho de volta, pudemos observar alguns jovens jogando futebol na praia que margeava a lagoa. Brasileiros que somos, não poderíamos passar em branco. Levamos um dos venezuelanos que nos acompanhava no passeio e jogamos uma partida. Talvez tenha sido o futebol com o visual mais bonito até então. Quando mais vamos poder admirar uma sequência de quedas d’água em frente à praia entre uma jogada e outra? Foi um belo jogo. Ainda mais que vencemos!</p>
<p style="text-align: justify;">A empolgação do passeio durante a tarde não poderia terminar em outra coisa que não fosse uma noite de rum e salsa em um bar à beira da lagoa de Canaima. Encontramos-nos com alguns venezuelanos e levamos a galera do acampamento para a festa. Aliás, éramos a festa praticamente. Além de nós, dois caisais completavam o público do bar naquela noite. Não poderíamos estar mais surpresos com a quantidade de músicas brasileiras que ouvimos. De sertanejo universitário ao funk carioca. Até as antigas do Olodum tocaram naquele dia! Impagável acompanhar japoneses, alemães, dinamarqueses, venezuelanos, pessoas de diversas nacionalidades curtindo juntas. Demos ótimas risadas, dançamos até não aguentarmos mais. Foi uma noite divertida.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://4x1.com.br/wp-content/uploads/2012/08/IMG_4085.jpg"><img class="aligncenter size-large wp-image-1761" title="IMG_4085" src="http://4x1.com.br/wp-content/uploads/2012/08/IMG_4085-1024x682.jpg" alt="" width="423" height="281" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Canaima foi um lugar especial da viagem. Nosso primeiro destino fora do Brasil acabou sendo um dos mais turísiticos da América do Sul. Pudemos conhecer e conversar com pessoas de todos os cantos do mundo, uma troca de experiências bastante interessante. É um passeio custoso e algumas vezes cansativo pelo despreperaro em termos de serviço. Mas como diria nosso amigo Fenrnado Pessoa: “tudo vale a pena se a alma não é pequena”. E valeu mesmo.</p>
<p style="text-align: justify;">Para ver mais fotos de Canaima e do Salto Angel, acesse nosso Flickr clicando <a title="Fotos" href="http://www.flickr.com/photos/4x1/sets/72157631339479456/" target="_blank">aqui</a>!</p>
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		<title>Venezuela, a primeira fronteira: 1ªs impressões, 1ºs perrengues</title>
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		<pubDate>Tue, 28 Aug 2012 03:39:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[4x1]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Venezuela]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Ficha 4&#215;1 Venezuela, a primeira fronteira: 1ªs impressões, 1ºs perrengues Data: 27/07/2012 a 30/07/2012 Saímos de: Manaus-AM Paramos (dormimos) em: Boa Vista-RR (10 horas de &#8230; <a class="more-btn" href="http://4x1.com.br/venezuela-fronteira/">Read more &#187;</a></p>
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]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong>Ficha 4&#215;1</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Venezuela, a primeira fronteira: 1ªs impressões, 1ºs perrengues</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Data:</strong> 27/07/2012 a 30/07/2012</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Saímos de:</strong> Manaus-AM</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Paramos (dormimos) em</strong>: Boa Vista-RR (10 horas de viagem), Salto Kama-Venezuela (11 horas incluindo quase 3 na fronteira),  Upata-Venezuela (quase 12 horas incluindo 4 horas consertando a Tanajura ) – todos os tempos incluem almoço e algumas paradas para fotos!</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Destino final:</strong> Ciudad Bolivar-Venezuela</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Distância total: </strong>1.683 Km (em 4 dias)<strong></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Trajeto:</strong> De Manaus até Boa Vista pegamos a <strong>BR-174</strong>. A estrada é boa no início, mas após a saída da reserva indígena Waimiri-Atroari alguns trechos estão bem esburacados e os quilômetros finais antes de Caracaraí são bem ruins. Mas ao passar essa cidade a estrada é muito boa até Boa Vista e pode-se até dirigir à noite. De Boa Vista à fronteira a estrada apresenta trechos muito ruins. Já na <strong>Venezuela</strong>, salvo um buraco ou outro, as estradas são muito boas!</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Onde dormimos:</strong> Boa vista (Pousada), Salto Kama (barraca, dentro de uma pousada rústica), Upata (barraca, dentro de uma pousada).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O que comemos de bom:</strong> Nosso último <strong>Pirarucu</strong> no Brasil. As <strong>empanadas </strong>venezuelanas<strong> </strong>no café da manhã.<strong></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Pneu Cheio:</strong> Atravessar a nossa primeira fronteira! E a ajuda da Polícia Federal brasileira.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Pneu murcho:</strong> “Envenenamento” da nossa querida Tanajura em nosso primeiro dia na Venezuela. (mais detalhes no post)</p>
<p style="text-align: justify;">Embora já tenhamos feito diversas viagens juntos e inclusive algumas delas para fora do Brasil, essa foi a primeira vez que entrávamos os 5 juntos em um país estrangeiro.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>“Estávamos empolgados como crianças em primeira viagem! Mas, logo em seu início, a Venezuela já dava sinais de que uma novíssima etapa na Expedição 4&#215;1 iniciava-se. Algo muito diferente do que havíamos vivido até ali. Arrisca-se dizer até que foi algo estranho, ou pelo menos bem diferente do que poderíamos imaginar. Embora um país tão próximo (geograficamente), a realidade da Venezuela é algo muito distante da nossa. Cruzar seu território foi um grande choque cultural desde o 1º quilômetro após a fronteira&#8230; e logo em seu início já enfrentamos um grande perrengue</em>”.<em></em></p>
<p style="text-align: justify;">Saímos de Manaus por volta das 10h da manhã do dia 27 de Julho e seguimos direto para Boa Vista-RR. A única parada foi na cidade turística de Presidente Figueiredo onde conhecemos dois jovens universitários que estão abrindo, juntos, uma empresa de turismo e aventuras. Estudantes de Eng. Florestal e Geologia eles nos contaram que Figueiredo é o segundo Geoparque do Brasil e até a Copa de 2014 a cidade – que possui diversas cachoeiras – receberá investimentos para alavancar o já movimentado turismo às suas cachoeiras.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://4x1.com.br/wp-content/uploads/2012/08/IMG_3485-2.jpg"><img class="aligncenter size-large wp-image-1743" title="IMG_3485-2" src="http://4x1.com.br/wp-content/uploads/2012/08/IMG_3485-2-1024x682.jpg" alt="" width="423" height="281" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Chegamos a Boa Vista tarde e cansados após 780 km e quase 10 horas de estrada. E, apesar de ser uma sexta-feira, a cidade estava vazia. Assim, fizemos nossa última janta em território brasileiro e partimos para o maior (e mais “decente”) posto de gasolina próximo à estrada, para o sono derradeiro antes da primeira fronteira. Mas logo que paramos a Tanajura para montarmos nossas barracas nos demos por vencidos quando mais um bêbado resolveu encostar seu agradável carro com um som altíssimo, embalado por músicas um tanto quanto “libertinas”. Desistimos! Na pousada mais próxima pegamos uma quarto para 3 pessoas,  jogamos dois colchões no chão e, depois de negociar, conseguimos 3 travesseiros! Sim, negociar porque queriam nos cobrar a mais pelos travesseiros “extras”!!!</p>
<p style="text-align: justify;">Bom, às 7h da manhã partimos de Boa Vista. A medida que nos afastávamos da capital Roraimense a vegetação mudava lentamente. Eram os últimos resquícios de Floresta Amazônica. E por volta das 11h20 chegávamos a Pacaraima. Estávamos tranquilos, afinal, acabávamos de trocar real por bolívares (<strong>A Venezuela é um dos poucos países do mundo em que é mais vantajoso trocar sua moeda no mercado “paralelo” do que em casas de câmbio oficiais</strong>) – ainda em Pacaraima – e tínhamos toda a documentação necessária! Já Tínhamos?! Bom, pelo menos pensávamos que tínhamos.  Vamos por partes e com detalhes:</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Etapa 1</strong>: Dar baixa (saída) na Polícia Federal brasileira &#8211; A primeira barreira policial na fronteira é da Policial Federal brasileira. Não havia nenhum guarda, placa ou qualquer explicação. Mesmo assim, fomos ao posto policial para averiguar e&#8230;sim! Era ali que teríamos que carimbar nossos passaportes (ou poderia apresentar o RG) para constar saída do Brasil. Simples assim! Somente um carimbo e fomos liberados por dois policiais gente finíssima que até bateram um papo e deram dicas pra gente. Entramos na Tanajura e seguimos rumo ao segundo posto policial, uns 200 metros à frente.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Etapa 2</strong>: Dar entrada na Venezuela – Ao lado da barreira policial havia um prédio da aduana Venezuelana. E como vimos um carro brasileiro parando ali, resolvemos parar também. Mais uma vez sem qualquer placa ou informação disponível, seguimos os “brazucas” para dentro do recinto. Após um breve papo com eles, o Gustavo (que, no papel, é o dono da Tana) seguiu para validar os documentos da Tanajura em um guichê e os outros seguiram para carimbar o passaporte de entrada na Venezuela, em outro. A fila para carimbar os passaportes andava bem rápido e após umas 2 ou 3 perguntas (basicamente de onde vem e pra onde vai)  o gentil senhor venezuelano (que anotava tudo em seu “ultra-rigoroso-master-tecnológico-caderno” que mais parecia de portaria de prédio) logo carimbava o passaporte. Liberados?! Não, faltava a Tanajura! E ali começava a <strong>gincana!!</strong> Preparados? Valendooo:</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Tarefa</strong> à Apresentar os seguintes <strong>documentos</strong>: Cópia e originais do: 1) Passaporte do proprietário do veículo, 2) documentos do veículo, 3) Carteira de motorista (a CNH brasileira mesmo), 4) seguro obrigatório do veículo (que no nosso caso não tínhamos, pois o nosso só valia no Brasil – mas esse já sabíamos que poderíamos fazer na fronteira) e 5) uma declaração conhecida como “nada consta”. Fácil, né? Então vamos lá:</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Obs.1</strong>: Tínhamos pagado USD 50 (50 dólares americanos) em São Paulo junto ao consulado da Venezuela para tirar um documento que lá disseram ser imprescindível e, na fronteira, a moça que nos atendeu disse desconhecer e não ser necessário. (Era o único consulado que havia cobrado algo e acabou por ser inútil!). O documento era uma cópia do documento do carro autenticada pelo consulado venezuelano.</p>
<p style="text-align: justify;">Sendo assim, tínhamos que realizar a <strong><span style="text-decoration: underline;">missão 1</span></strong> do dia: ir até Santa Helena de Uairen – primeira cidade da Venezuela – e comprar o seguro obrigatório do veículo. <strong><span style="text-decoration: underline;">Desafio</span></strong>: realizar a missão antes da pausa de almoço do posto que duraria quase 2 horas. Eram 11h55 em nossos relógios e o posto fechava às 12h. Seria impossível!!! Ops, seria, não fosse a diferença de 30 min do fuso da Venezuela em relação a Manaus (o qual estavam nossos relógios). A Venezuela é estranhamente (GMT &#8211; 4h30). Ou seja, eram 11h25 e tínhamos na verdade 35 minutos. Demos sorte de achar um local vendendo o seguro a menos de 500 metros da fronteira. Pagamos 1.650 Bolívares, aproximadamente R$ 366. Voltamos para o posto fiscal com o seguro em mãos antes das 12h e agora com todos os documentos em mãos!!! Quando de repente surge a obs.2:</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Obs.2</strong>: O tal documento “nada consta” (que não havia nem sido mencionado no consulado em São Paulo e que descobrimos, sem querer, pelo gentil amigo do pai do Gustavo – sr. Décio) é referente a uma declaração de que o veículo em questão não consta de nenhuma pendência, como multas, taxas, crimes, etc. E para o Brasil, basta imprimir no site do Detran. Mas na fronteira queriam que fosse carimbado pelo próprio Detran e a nossa versão impressa que tínhamos conosco, não valia.</p>
<p style="text-align: justify;">Da obs.2: surge a <strong><span style="text-decoration: underline;">missão 2</span></strong>: conseguir o tal documento carimbado pelo Detran! <strong><span style="text-decoration: underline;">Desafio</span></strong>: conseguir um documento pelo nosso querido Detran em pleno <strong>sábado às</strong> <strong>12h30</strong> (horário de Manaus) em Pacaraima – uma cidade minúscula.</p>
<p style="text-align: justify;">Ficamos frustrados! Se realmente precisássemos desse documento assinado pelo Detran não iríamos cruzar a fronteira naquele dia! Teríamos que esperar até segunda-feira! Sendo assim, resolvemos aplicar o método que aprendemos com outros trilheiros na nossa pré-viagem, na serra da Canastra e que era mais ou menos assim: “Meninos, sempre que der alguma “besteira” na viagem: sentem, bebam algo e relaxem, que de cabeça fresca se pensa melhor!” E, assim, fomos almoçar ali perto. E, por coincidência, fomos almoçar no mesmo restaurante que os policiais federais que haviam carimbado nossos passaportes de saída. Contamos o que ocorreu e eles acharam um absurdo os Venezuelanos fazerem exigências e regras sobre documentos de jurisdição brasileira. Sendo assim, eles mesmos fizeram uma declaração de nada consta e carimbaram. Assim que o posto fiscal da Venezuela reabriu por volta das 14h voltamos lá para arriscar com o novo documento, e&#8230; Deu certo!! Papeladas de autorização em mãos, voltamos à estrada e, após alguns metros, cruzamos em definitivo a fronteira! Era por volta das 15h quando adentrávamos à terra de Hugo Chavez! Ufa!! <strong>Ufa!?!?</strong> Em instantes tem mais!!!</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://4x1.com.br/wp-content/uploads/2012/08/IMG_3533-2.jpg"><img class="aligncenter size-large wp-image-1744" title="IMG_3533-2" src="http://4x1.com.br/wp-content/uploads/2012/08/IMG_3533-2-1024x682.jpg" alt="" width="423" height="281" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Bom, como mencionamos no início desse capítulo, cruzar a Venezuela causou-nos um grande choque. Era estranho pensar que boa parte dos últimos 900 km, e apenas 1 ou 2 dias atrás, estávamos no meio da Amazônia! E em poucos quilômetros em solo venezuelano a vegetação mudava de forma veloz.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://4x1.com.br/wp-content/uploads/2012/08/IMG_3586-2.jpg"><img class="aligncenter size-large wp-image-1748" title="IMG_3586-2" src="http://4x1.com.br/wp-content/uploads/2012/08/IMG_3586-2-1024x682.jpg" alt="" width="423" height="281" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">As densas e altas árvores da vegetação Amazônica davam vez a um grande descampado de vegetação rasteira com algumas árvores espaçadas cercadas de grandes planaltos e alguns morros isolados. Foram poucos quilômetros rodados e já estávamos dentro da famosa Gran Sabana! Um visual de tirar o folêgo que mereceu pausa para uma bela foto.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://4x1.com.br/wp-content/uploads/2012/08/IMG_3549-2.jpg"><img class="aligncenter size-large wp-image-1745" title="IMG_3549-2" src="http://4x1.com.br/wp-content/uploads/2012/08/IMG_3549-2-1024x682.jpg" alt="" width="423" height="281" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Seguimos aproximadamente 100 km e paramos em Salto Kama para dormir. Armamos as barracas em frente a uma pousada “semi-abandonada” (semi, pois, ainda que “ativa”, muitas de suas dependências estão abandonadas, como o restaurante e alguns banheiros externos) em frente ao salto Kama, uma cachoeira de 50 metros, a menos de 200 metros da estrada, onde tomamos um banho gelado, comemos um lanche ali perto e, ainda cedo, fomos dormir.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://4x1.com.br/wp-content/uploads/2012/08/IMG_3598-2.jpg"><img class="aligncenter  wp-image-1750" title="IMG_3598-2" src="http://4x1.com.br/wp-content/uploads/2012/08/IMG_3598-2-682x1024.jpg" alt="" width="296" height="445" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">As 5h20 do dia seguinte estávamos de pé e as 6h30 na estrada. Tínhamos mais de 550km e aproximadamente 7horas para dirigir até Ciudad Bolívar, numa estrada com muitas curvas em trecho de serra. <strong>Tínhamos</strong>, pois as 9h30 começaria a <strong>segunda parte</strong> <strong>da aventura</strong>&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://4x1.com.br/wp-content/uploads/2012/08/IMG_3592-2.jpg"><img class="aligncenter size-large wp-image-1749" title="IMG_3592-2" src="http://4x1.com.br/wp-content/uploads/2012/08/IMG_3592-2-1024x682.jpg" alt="" width="423" height="281" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Antes de contar essa segunda parte, vão algumas <strong>curiosidades</strong>: a gasolina na Venezuela é subsidiada. E MUITO! Isso significa que abastecer o tanque quase inteiro da Tanajura nos custava menos de 75 centavos (isso mesmo, <strong>R$ 0,75</strong>!!) 65 litros custam MENOS de 1 REAL!!! E é um combustível de muito boa qualidade. Dessa forma, num raio de algumas centenas de km da fronteira com o Brasil e Guiana, a maioria dos postos possuem filas enormes e são protegidos pelo exército para evitar “roubos” de combustível para contrabando (mas não se preocupe, turistas em trânsito pelo país apresentam o passaporte e tem o direito de “furar a fila”). Tais postos possuem cartazes, faixas e pinturas com fotos e menções a Hugo Chávez. E mais!! Em um desses postos mais “exaltados” tocavam músicas propagandistas em alto volume vangloriando Chávez, com letras que o comparam a Che Guevara e a Simón Bolívar, chamando-o de presidente de libertador. Músicas que bradam contra George W. Bush e chamam os países sul-americanos de “entregues” às políticas norte-americanas. Algumas letras louvam a luta armada e dizem que Chávez foi o único a dar oportunidades e direitos a todos! (comentaremos mais sobre nossas percepções sobre esse assunto em posts posteriores)</p>
<p style="text-align: justify;">Mas voltando a contar sobre nosso segundo dia na Venezuela e nossa saída logo cedo para Ciudad Bolívar e&#8230;já tivemos um MEGA perrengue!! Poucas horas depois da saída alcançávamos a primeira cidade do trajeto e precisávamos abastecer pela primeira vez na Venezuela. Eram 9h da manhã e logo após cortarmos a imensa fila de carros, enchemos nosso tanque. Felizes pelo baixíssimo preço pago. Saímos dali e, 5 min depois, uma luz se acende no painel da Tanajura. Luz que nunca havíamos visto antes. Ainda com a Tana em movimento olhamos o manual que explicava que a luz indicava um pouco de água a mais no filtro de combustível e que, portanto, seria bom drenarmos essa água. Mas enquanto líamos o manual a Tanajura simplesmente parou de acelerar. PAROU TOTALMENTE. Fizemos o tal dreno como o manual indicava e não parava de sair água do filtro.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://4x1.com.br/wp-content/uploads/2012/08/IMG_3614-2.jpg"><img class="aligncenter size-large wp-image-1751" title="IMG_3614-2" src="http://4x1.com.br/wp-content/uploads/2012/08/IMG_3614-2-1024x682.jpg" alt="" width="423" height="281" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://4x1.com.br/wp-content/uploads/2012/08/IMG_3629-2.jpg"><img class="aligncenter size-large wp-image-1741" title="IMG_3629-2" src="http://4x1.com.br/wp-content/uploads/2012/08/IMG_3629-2-1024x682.jpg" alt="" width="423" height="281" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Tentamos até sifonar direto do tanque e&#8230;só água! Tadinha da Tanajura estava completamente “envenenada” e não tinha mais o que fazer. Resultado, um cara nos rebocou de volta até uma oficina próxima ao posto que havíamos abastecido e ficamos lá mais de 3 horas para desmontar TODO o tanque e drenar os quase 60 litros de combustível que tínhamos enchido.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://4x1.com.br/wp-content/uploads/2012/08/IMG_3623-2.jpg"><img class="aligncenter size-large wp-image-1740" title="IMG_3623-2" src="http://4x1.com.br/wp-content/uploads/2012/08/IMG_3623-2-1024x682.jpg" alt="" width="423" height="281" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">“Combustível”, pois aquela porcaria que estava na Tanajura era um líquido composto por pelo menos 70% de água e só 30% de diesel.  Depois voltamos ao posto e, para nossa “felicidade” ele estava fechado por algumas horas para uma limpeza da bomba que estava com muita água!!!! Claro! Fomos os últimos “felizardos” a abastecer antes daquela “pausa técnica”!!!</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://4x1.com.br/wp-content/uploads/2012/08/IMG_3635-2.jpg"><img class="aligncenter  wp-image-1742" title="IMG_3635-2" src="http://4x1.com.br/wp-content/uploads/2012/08/IMG_3635-2-682x1024.jpg" alt="" width="296" height="445" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Depois do perrengue seguimos até Upata chegando no início da noite (não dava mais pra chegar em Ciudad Bolívar aquele dia). E no dia seguinte de manhã iríamos para lá. E a Tanajura?! Ah, a menina já tá boa! Cura rápido =)</p>
<p style="text-align: justify;">Para ver mais fotos deste post, acesse nosso Flickr clicando <a title="Fotos" href="http://www.flickr.com/photos/4x1/sets/72157631282230952/" target="_blank">aqui</a>!</p>
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